O pai como nós de hoje é sobre a Dulcineia...ela escreveu-me um texto tão bem feito e elaborado que não tenho coragem de o " desmanchar" ...assim vou dar-vos na integra tudo o que ela me explicou sobre o seu trabalho, que é devera espectacular!
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Chamo-me
Dulcineia Pinto, sou arqueóloga de formação académica e
neste momento considero-me uma artesã em crescimento. Comecei por fundar um
blogue com uma amiga no qual iriamos expor diversos trabalhos de artesanato.
Tenho
uma verdadeira paixão por aquilo que os arqueólogos chamam de “cultura
material” ou seja, tudo aquilo que vemos e que foi construído pelo ser humano
(dos pequenos objetos às grandes construções). É assim que surge, também, uma
paixão pelo saber–fazer, saber fazer
crochet, tricot, cardar lã, fiar ou qualquer outro tipo de atividade artesanal.
Em suma, tenho um interesse genuíno por todo um conjunto de atividades que
foram caindo em desuso devido à industrialização e avanço tecnológico.
O
nascimento do meu segundo filho marca uma fase de crescimento interior onde
encetei uma busca de novas formas de ensino. Assim deparei-me com a pedagogia Waldorf
e com as bonecas / bonecos utilizados nesta pedagogia. Apaixonei-me por elas,
pelas suas faces de neutralidade, pela sua capacidade de permitir sentir
livremente. Ainda que estas bonecas se relacionem intrinsecamente com uma filosofia
e pedagogia complexas, que requer estudo, dedicação e esforço para a sua
aprendizagem correcta; as bonecas valem por si mesmas. Indicam um caminho e
através delas é também possível introduzir esta pedagogia que respeita o tempo
da criança e que infelizmente tem poucos adeptos em Portugal.
Deste
modo, um projeto que começou por um blogue de artesanato algo generalista,
rapidamente se converteu num outro onde tenho vindo a publicar as bonecas que
vou realizando, com o carinho e dedicação que as crianças, suas amigas, me
merecem.
Não
sei o que me reserva o amanhã. No entanto, tal como afirma uma premissa fundamental
da pedagogia Waldorf, viver completamente no Presente é a melhor preparação
para o Futuro.
Sobre as Bonecas que seguem a pedagogia Waldorf
As bonecas de pano realizadas
pela Artesaneia seguem as indicações da pedagogia Waldorf. São manufacturadas,
cozidas à mão, cheias com lã de ovelha, revestidas a malha de algodão e
vestidas com tecidos de fibras naturais. Possuem rostos neutros, dois pequenos
olhos, um nariz quase impercetível e uma boca também pequena, onde não se
desenham sorrisos. É certo, que as bonecas da marca Kathe Krusse (que detém a
exclusividade do fabrico de brinquedos têxteis Waldorf) possuem olhos maiores,
bocas mais rasgadas e por vezes, narizes mais proeminentes. As suas dimensões
são também diferentes daquelas das bonecas da Artesaneia.
As bonecas da Artesaneia são
uma interpretação pessoal, são uma criação pessoal dirigida a determinada
criança. Cremos que mimetiza a anatomia das crianças, não é esguia, possui um corpo
robusto que providencia segurança e aconchego.
Se nos detivermos um pouco
pelas diversas bonecas que seguem a pedagogia Waldorf, que são criadas um pouco
por todo o mundo (e publicitadas em blogues) notaremos diferenças
significativas sobretudo ao nível da face. As bonecas do norte-americano (EUA)
possuem olhos grandes, afastados, criando uma face que se assemelha a um sapo.
Na Europa os olhos continuam grandes mas mais juntos, as faces são mais
equilibradas do que aquelas de muitas bonecas de artesãs norte-americanas. No
Brasil, as bonecas possuem olhos minúsculos, mais juntos que aqueles das
bonecas europeias e claramente diferentes ao nível do tom de pele e vestuário.
As bonecas brasileiras são aquelas com as quais mais me identifico. E foi
também através de uma formadora brasileira (Rita Santarém) que aprendi algumas
das técnicas de manufatura das bonecas de tipo Waldorf.
A boneca Waldorf
caracteriza-se por respeitar o tempo da criança, o seu sentir, a sua capacidade
de imaginar e transformar o seu pequeno mundo. E como o faz? Como é que uma
simples boneca realiza tão árdua tarefa?
A boneca ao possuir um rosto
neutro permite à criança sentir todo o tipo de emoção sem se sentir
constrangida por um sorriso permanente que a fita e a persegue, “obrigando-a” a
sentir algo semelhante ao sentimento apontado pela boneca
A vida é feita de alegrias e
tristezas e as bonecas que acompanham as crianças devem permitir que os
sentimentos destas fluam com a energia que os caracteriza. Este facto não é de
pequena importância, é o fator que diferencia estas bonecas de todas as outras.
Enchemos o nosso mundo e o
das nossas crianças com objetos que aprisionam o nosso pensamento, produzidos
em massa, desenhados por outros, insignificantes – vazios de significado,
vazios de emotividade. Se para um adulto tal facto é um ato consumado, com o
qual aprendemos a conviver e o qual raramente nos incomoda; para a criança tudo
é novo, tudo está a ser aprendido. Assim, devemos escolher cuidadosamente os objetos
que rodeiam os nossos filhos de modo a que estes, um dia, valorizem o ser humano
e o mundo material na medida certa.
Termino dizendo que as
bonecas Waldorf transmitem o cariz e o amor de quem as produz. São uma obra de
amor, são belas e o Belo deve estar sempre presente na vida de todas as
crianças.
“O tipo de educação mais
eficaz é aquela em que a criança brinca no meio de boas e belas coisas” –
Platão.
Podem visitar a Artesania
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Blog
ou enviar-lhe um email com as vossas questões e duvidas...para
dulcibp@gmail.com
Eu estou completamente apaixonada por estas bonecas, não só pelo seu aspecto ternurento ( porque é assim que as vejo) , como pela historias que existe por detrás delas...que me era completamente desconhecida.
Podem ver em breve ao vivo a Dulcineia e as suas bonecas na feira de artesanato " Ser mamã" que se irá realizar em Maio na exponor.
Não deixem de visitar...:)